Cresce número de afastamentos por transtornos de ansiedade

Cresce número de afastamentos por transtornos de ansiedade

Segundo dados da Secretaria da Previdência, nos últimos quatro anos houve um aumento de 17% nas concessões de auxílio-doença por transtornos de ansiedade – de 22,6 mil em 2012 para 26,5 mil em 2016. A ansiedade representa 20% dos casos de afastamentos por transtornos mentais e comportamentais, atrás apenas da depressão, que corresponde a 30% dos casos.

Segundo Dr. João Silvestre da Silva Júnior, diretor de Relações Internacionais da ANAMT, uma das explicações para o aumento dos quadros ansiosos incapacitantes pode ser a realidade econômica do país.

“O país está presenciando uma série de reestruturações organizacionais em virtude da crise e este cenário pode aumentar as incertezas sobre a manutenção do emprego e a sobrecarga quali-quantitativa individual de trabalho”, pondera.

O estigma sobre o trabalhador com doença mental, chamado psicofobia, degenera as relações entre colegas no ambiente de trabalho. O medo de expor o seu adoecimento pode estimular a quadros como presenteísmo e, ao longo do tempo, uma retroalimentação do quadro clínico pode levar a um agravamento da doença, com o desenvolvimento de agravos associados – como abuso de álcool ou substâncias psicoativas

Segundo Dr. João, o afastamento deve ocorrer quando o trabalhador não apresente capacidade para o desempenho das tarefas inerentes ao trabalho: “Tal repercussão pode advir dos sintomas clínicos ou efeitos colaterais do tratamento com psicofármacos”.

Depressão

A depressão atinge 322 milhões de pessoas no mundo e é a principal causa de afastamento por transtornos mentais e comportamentais no Brasil. Nas últimas décadas, autores têm descrito que novas formas de organizar o contexto e conteúdo do trabalho têm influenciado negativamente a saúde mental dos trabalhadores. Atualmente a Organização Mundial da Saúde trabalha a campanha “Vamos Conversar”, cujo objetivo é que mais pessoas com depressão, em todo o mundo, busquem e obtenham ajuda.

Os Médicos do Trabalho têm um importante papel social nesse contexto, pois podem auxiliar e identificar pessoas que sofrem com essa doença. Para o diretor da ANAMT, deve-se estimular um ambiente corporativo onde falar sobre saúde mental não seja um tabu.

“Estimular ações voltadas à promoção da saúde mental, reconhecer situações de risco relacionadas ou não o trabalho, montar uma equipe preparada para acolher trabalhadores com algum tipo de queixa no domínio mental, instituir protocolos de assistência e reabilitação, além de construir uma rede de suporte organizacional são algumas das ações requeridas em bons serviços de atenção integral à saúde do trabalhador”, afirma.

Seminário Sudeste da ANAMT

A ANAMT tem o papel fundamental de difundir o conhecimento científico aos Médicos do Trabalho por meio de eventos promovidos pela entidade. Neste ano, o Seminário Sudeste será realizado em Belo Horizonte (MG) e terá como tema central “Saúde mental: O grande desafio do Médico do Trabalho”.

Serviço:
Seminário Sudeste da ANAMT
Data: 7 a 9 de setembro de 2017
Local: Hotel Mercure Lourdes – Belo Horizonte (MG)
Informações: http://seminariosanamt.com.br/seminariosudeste/

Por |2017-07-12T17:25:31-03:0012 de julho de 2017|Saúde no trabalho|