Por trás das vitórias

Por trás das vitórias

Data: 29 de maio

O esporte profissional atrai jovens movidos pelo sonho de reconhecimento, prestígio e retorno financeiro, apesar de muitos riscos desconhecidos permearem este caminho. Trabalho infantil, exploração sexual e atenção inadequada à educação formal são alguns fatores presentes em especial na modalidade mais visada: o futebol. Mesmo em times profissionais, a saúde dos atletas corre riscos.

“Como trabalham com o corpo e precisam superar limites, o próprio treinamento já tem perigos inerentes, que variam de acordo com a modalidade. Lutas, automobilismo e esportes radicais, em geral, se sobressaem”, explica Dr. Tiago Giacomini, médico especializado em exercício e esporte.

Além da carga de treinos, fatores como má alimentação e poucas pausas para descanso são agravantes dos riscos ocupacionais. Uma equipe especializada pode garantir condições laborais adequadas aos esportistas, mas isso não é comum.

“Em teoria, os clubes deveriam ter um profissional para monitorar e prevenir acidentes, mas essa função fica por conta da comissão técnica e de preparação física”, revela Dr. Tiago.

A busca pela vitória ou pela quebra de recordes pode ter outras consequências decorrentes de práticas comuns no setor, como contratos temporários, distância dos familiares e pressão dos patrocinadores e do clube. “A Síndrome de Burnout consiste na busca exagerada pelo desempenho e reconhecimento do trabalho, e pode ser desenvolvida quando há estresse psicológico”, observa.

Nos campos

As lesões nos membros inferiores são muito comuns no futebol e são tratadas dentro dos clubes profissionais. Wilson Piazza, presidente da Federação das Associações dos Atletas Profissionais (FAAP) e ex-jogador da seleção brasileira de futebol, observa que a maioria deles não tem infraestrutura adequada, o que pode ocasionar sequelas e outros desdobramentos:

“Nestes casos, o clube ou o jogador devem fazer a Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT), o que raramente acontece. No futuro, um tratamento invasivo pode gerar alguma sequela que o impeça de continuar a carreira. Para levar a ocorrência à Previdência Social será mais difícil”, explica.

Realidade

Muitas vezes associada a altos salários, a realidade vivida pela maioria dos jogadores de futebol é diferente. Segundo dados do Bom Senso Futebol Clube, movimento que ganhou destaque em 2013, 82% dos jogadores ganham menos de dois salários mínimos por mês, e 85% dos clubes profissionais ficam inativos por pelo menos seis meses no ano.

A longo prazo, isso representa pouco tempo de contribuição previdenciária, pois, além dos contratos, a carreira esportiva é curta. Para lidar com este fator, Piazza ressalta que os jogadores devem pensar adiante e buscar orientação e formação profissional:

“A maioria dos jogadores tem origem humilde e muitos possuem baixo nível de escolaridade. Por isso, devem se informar para garantir um meio de sobrevivência após deixarem os campos. No meio esportivo ou fora dele, é preciso se preparar para outra atividade”.

Em busca da vitória ou de quebra de recordes, a saúde dos atletas profissionais pode ser comprometida

Por |2014-05-29T11:11:31-03:0029 de maio de 2014|Notícias|